ALUNO AGRIDE O PROFESSOR DENTRO DA SALA DE AULA
Foi manchete do jornal. Muitos e muitos exemplares a mais foram vendidos na cidade. Todos queriam saber o que realmente aconteceu e cada um querendo identificar o culpado. Afinal, quem é o culpado por isso?Alguns citam que a família “é a responsável e está delegando a questão da educação para a escola”; outro já afirma que o culpado é “o sistema educacional falho”; a culpa é dos alunos que não têm interesse, “eles vêm para a escola brincar”, afirmam outros. Ainda existem aqueles que dirão que nossa sociedade é culpada; ou que a televisão, por ficar o tempo todo mostrando esses comportamentos perversos, acaba por banalizar toda forma de violência, é, pois, a culpada e por aí vai.
A agressão é fruto de um processo sistêmico. No contexto da sociedade de hoje, complexa, sistêmica, não existe um culpado apenas e um inocente somente. No modelo cartesiano de mundo, dualista, desagregador, sempre achávamos um culpado, mas aquela visão foi superada. Estamos todos num mesmo barco. Todos nós somos parte dessa sociedade e de alguma forma contribuímos para tudo o que nela acontece, tanto de bom quanto de ruim. Somos parte dos problemas assim como somos parte da solução dos mesmos problemas.
A questão é que se torna muito cômodo terceirizar a culpa, tirando o corpo fora. Na realidade estamos todos interligados. Estudos científicos nos mostram a essência desta interrelação. A bíblia também sita, em inúmeras passagens, “que somos todos irmãos, feitos da mesma matéria, filhos de um mesmo Pai”, por aí vai. Nós insistimos na dualidade, na divisão: “bons & maus”, “certos & errados”, “bonitos & feios”, “ricos & pobres”, “desenvolvidos & subdesenvolvidos”, “brancos & negros”, etc. conceitos que servem apenas para dividir, dificultar, obscurecer nossa visão.
Todo ser humano é idêntico em sua essência. O que o faz grande, nobre, respeitável é o quanto vivencia os valores que traz em sua alma, parte dessa essência. Na realidade, no turbilhão da pressa, da ansiedade, do estresse a que somos submetidos, nos tornamos inconscientes, insensíveis, esquecemo-nos de vivenciar os valores que nos torna mais humanos, mais irmãos, como realmente somos e desejamos. Em decorrência disso, pagamos um preço muito alto e nos sentimos inconformados, buscando culpados pelo que vemos de absurdo diuturnamente.
Cabe à família despertar a vivência desses valores? Sim, é lógico, mas cabe também à escola, que trabalha a questão da formação da personalidade do aluno; cabe também ao empresário que busca excelência no processo de produção de bens da sua empresa; cabe à Igreja como entidade evangelizadora e também educadora que é. Na realidade, todas as instituições sociais devem estar igualmente envolvidas nesta questão. Isto também é um desafio pessoal a cada um de nós.
Anthonin Robinns, falando de mudança de comportamento, nos desafia a vivenciar valores. Propõe que, por vinte e quatro horas, eu vivencie um determinado valor: pode ser a cortesia, a compaixão, o respeito, a gratidão, caso cometa uma falha, recomeço do zero. Experimento depois vivenciar esses valores por uma semana, um mês... Até que, realmente, sejam incorporados à minha conduta. Então, provoquei uma mudança significativa.
Fazer isto na escola, na família, na empresa, estaria provocando mudanças significativas que evitariam a ocorrência de fatos como o citado. Este é um desafio que compete a todos. A mudança pode ter início com idéias geradas por um líder, por um grupo de pessoas, mas só se concretiza quando a grande maioria, de forma consciente, faz sua opção de vivenciá-las.
Todos nós queremos afeto, aceitação, alegria, amor, aprovação, atenção, autenticidade, bondade, caridade, coerência, compaixão, competência, compreensão, comunicação efetiva, confiança, conforto, congruência, consideração, controle, cooperação, coragem, cordialidade, delicadeza, determinação, disposição, eficiência, energia, entendimento, entrega, entusiasmo, equilíbrio, esperança, espontaneidade, excelência, fé, flexibilidade, força, franqueza, fraternidade, gentileza, gratidão, harmonia, honestidade, honra, humildade, humor, independência, iniciativa, integridade, inteligência, justiça, lealdade, liberdade, organização, orgulho, originalidade, otimismo, paciência, paixão, paz, perdão, persistência, pontualidade, propósito, proteção, pureza, rapidez, realização, reconhecimento, respeito, responsabilidade, romantismo, segurança, simplicidade, solidariedade, sucesso, tenacidade, ternura, tolerância, transformação, verdade, vitoria, zelo e ainda outras coisas nobres. Mas quando e quanto, de fato, tentamos vivenciar esses valores no dia-a-dia?
Deixo a pergunta: “Se vivenciássemos esses valores, um pouquinho mais, qual a chance de depararmos com uma manchete como a descrita acima?”
